Nos dias de hoje vivemos uma epidemia mundial que atinge de forma mais agressiva principalmente a população feminina entre os 18 e 40 anos, que é a “epidemia do culto ao corpo”; as pessoas estão se sujeitando cada vez mais a tratamentos pesados e muitas vezes perigosos em nome do corpo perfeito.
Muitas vezes há um distúrbio na representação pessoal do esquema corporal, e é nesse momento que é necessário se preocupar mais, pois ai surgem transtornos como a anorexia e a bulimia. Segundo a nutricionista Juliana Nader, o maior grupo de risco para esses transtornos são os atletas, modelos, bailarinas, adolescentes e indivíduos com sobrepeso.
Segundo o site psiqweb, pesquisar realizadas em países desenvolvidos mostra que 93% das mulheres e 82% dos homens são preocupados com sua aparência e trabalham para melhorá-la. De um modo geral, desejar ardentemente ter uma imagem corporal perfeita não implica sofrer de algum transtorno emocional, porém as possibilidades de que esta apareça é fortemente aumentada.
Pra que a gente possa entender um pouco mais do que estamos falando, precisamos saber o que é um “transtorno alimentar”?
Segundo o DSM IV os transtornos alimentares são caracterizados como severas perturbações no comportamento alimentar. Essa seção inclui dois diagnósticos específicos, a anorexia e a bulimia nervosa. Já a obesidade simples é incluída no CID (classificação internacional de doenças) mas não aparece no DSM IV, porque não foi estabelecida uma associação consistente com uma síndrome psicológica ou comportamental.
Agora que sabemos o que é um transtorno alimentar e quais são eles, vamos conhecer um pouco mais de cada um deles.
Vou começar pela anorexia nervosa. Para Crisp (1975) a anorexia nervosa é primeiramente uma “fobia ao peso”, um medo de aumentar o peso corporal. Os pacientes se impõem a si mesmos um baixo peso. Segundo o CID 10 existe comumente desnutrição de grau variável que se acompanha de modificações endócrinas e metabólicas secundárias e de perturbações das funções fisiológicas. Os sintomas compreendem uma restrição das escolhas alimentares, a prática excessiva de exercícios físicos, vômitos provocados e a utilização de laxantes, anorexígeros e de diuréticos. Essas pessoas costumam negar sua magreza e ocasionalmente afirmam que são gordas.
A nutricionista Juliana Nader aponta a desnutição protético-carbórico, a queda de cabelo, a osteoporose e/ou osteopenia e a anemia e dislipidemia como características da anorexia nervosa; como tratamento ela sugere que seja feito uma dietoterapia de forma gradual para a recuperação do peso e a reabilitação alimentar, além é claro, do acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
A anorexia nervosa pode ser eficazmente tratada, porém, exige uma abordagem multidisciplinar, geralmente fazem parte dessa equipe, um psicólogo (que além de fazer o trabalho com o paciente também vai trabalhar com a família), um nutricionista, um psiquiatra e um endocrinologista. Caso o tratamento não seja feito, a vítima da anorexia nervosa pode morrer lentamente.
Vou colocar aqui algumas dicas que ajudam a identificar uma anoréxica, é preciso prestar muita atenção em seu comportamento, geralmente apresentam-se cansadas, com insônia, anemia e anormalidades hormonais, como por exemplo, a falta da menstruação por pelo menos três meses, preferem comer sozinhas e em horários incomuns, fazem muitas dietas, abusam da ginástica e usam roupas mais folgadas a fim de esconder o corpo magro.
Enquanto a anorexia nervosa se caracteriza pela ausência do apetite a bulimia nervosa caracteriza-se pela vontade obsessiva compulsiva de comer. A distorção da imagem corporal, assim como na anorexia, na bulimia também é uma característica, eles acreditam que estão muito pesados ou gordos.
No CID 10 encontramos as seguintes caracterizações: partilha diversas características psicológicas com a anorexia nervosa, dentre as quais uma preocupação exagerada com a forma e peso corporais. Os vômitos repetidos podem provocar perturbações eletrolíticas e complicações somáticas. Nos antecedentes encontra-se freqüentemente, mas nem sempre, um episódio de anorexia nervosa ocorrido de alguns meses a vários anos antes.
A vítima da bulimia nervosa passa pelo consumo rápido e totalmente descontrolado de uma grande quantidade de alimento seguido por grande culpa a qual leva ao vômito induzido ou outros métodos para redução do peso como o uso de laxantes e anfetaminas. Outros comportamentos anormais podem ocorrer, como por exemplo, o uso abusivo do álcool, furtos (especialmente envolvendo o de alimentos) e auto ferimentos.
Eles apresentam um relacionamento pobre com os pais, conflitos acadêmicos e relacionamentos pobres até com os próprios colegas.
A nutricionista Juliana Nader aponta como característica da bulimia nervosa o grau de variação de peso, lesão ou dor nas mãos, desgaste dentário pelo sulco gástrico, dilatação gástrica, perfurações esofágicas, gastrite, ulcera, esofagites, alterações metabólicas e hidroeletrolitica.
Para ela o tratamento eficaz segue a mesma linha do tratamento para a anorexia, porém neste caso seria apenas para a escolha de uma alimentação mais saudável.
No tratamento da bulimia também devem estar incluídos psicólogos, nutricionistas, psiquiatras e endocrinologistas, da mesma forma como a anorexia. O tratamento psicológico também deve ser estendido a toda família.
Já a obesidade tem várias causas, ela pode ser fisiológica, genética, cultural e social, tornando impossível generalizar sobre o estado mental das pessoas obesas.
Primeiramente, precisamos saber qual tipo de obesidade a pessoa tem, se a obesidade vem desde a infância ou se tornaram-se obesas mais tarde, pois os que são obesos desde a infância tem mais dificuldade em manter a redução do peso, e são propensas à depressão quando estão de dieta.
A adolescência é uma fase bem complicada para os obesos, pois qualquer deformidade física nessa época pode resultar em auto repúdio e auto denegrimento, podem sentir-se repulsivos fisicamente em relação ao sexo oposto.
Pessoas com esse problema evitam se olhar no espelho para não entrar em contato com sua forma física e, assim como as pessoas que tem anorexia, os obesos superestimam suas medidas.
Como um dos tratamentos indicado para a obesidade, está a cirurgia bariátrica (para casos de obesidade mórbida), ela tem por objetivo reduzir a ingestão alimentar e manter a saciedade, porém exige também o mesmo tratamento multiprofissional dos demais transtornos.
Caso a obesidade não seja tratada de maneira adequada, a pessoa obesa pode desenvolver doenças crônicas como a diabetes e doenças cardiovasculares, fora os problemas de desequilíbrio emocional.
Portanto, fica a dica para cuidarmos mais da nossa saúde física e mental, pois só assim, com esse equilíbrio, conseguiremos levar uma vida mais saudável!!!